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3/01/2011

Canais nos transportes públicos

Com os desenvolvimentos tecnológicos quer ao nível dos ecrãs, quer ao nível do armazenamento e da transmissão de dados, a criação de canais multimédia nos transportes públicos é cada vez mais simples.

E apesar de já termos visto nascer vários projectos, ainda não houve nenhum que tenha vingado completamente. Mas se temos uma audiência cativa dum espaço e dum tempo, onde está o problema?

Para além de algum problema com os modelos de negócio, assunto que não vou abordar aqui, tenho a convicção de que os conceitos apresentados ainda não responderam às eventuais necessidades e à experiência do utilizador no uso do transporte público. E para a maior parte das coisas, a tecnologia necessária está, e é, acessível.

Se me pedirem hoje para desenvolver um canal que contemple a experiência da viagem, sei para já algumas coisas que devo e não devo fazer.

A considerar

Geo-referenciação: dar informação adequada ao sítio. Se estou a chegar ao Porto, pode ter interesse saber o que se vai passar, que ofertas e serviços tenho disponíveis. E este é o ponto mais importante num projecto desta natureza, para ser realmente interessante, e sobre o qual se podem construir muitos conteúdos e definir muitas informações.

Informação Bilingue: afinal somos um país de turismo e as nossas capitais estão bem referenciadas para a realização de congressos internacionais.

Actualização dinâmica: adequar informação em função da hora e da data em que estamos não é difícil, ajuda a gerir bem o canal e acrescenta valor. Saber dum concerto ou duma exposição que já foram não tem qualquer interesse e desmotiva para a visualização.

Conteúdos visuais: os conteúdos devem apostar na imagem e na sua compreensão sem som. A difusão de som, juntamente com o ruído ambiente do próprio transporte, mais as conversas telefónicas, mais as conversas reais, originam ambientes altamente ruidosos, onde o som do canal será a última coisa a ser ouvida. Ou se for a mais ouvida teremos outro tipo de reacções, negativas. Os conteúdos devem apostar na imagem e na sua compreensão sem som.

Frequência da viagem: se uso o mesmo transporte com frequência e os conteúdos não mudam, o canal passa a ser paisagem. É importante perceber com que frequência a maior parte das pessoas vê o nosso canal dentro do transporte público.

Entretenimento próprio: se cada pessoa tem o seu, onde podemos ser alternativa? Seja numa viagem de pequeno ou de longo curso, cada pessoa tem a sua própria fonte de entretenimento, seja um jornal, um livro e até mesmo um filme. Se viajarem num Alfa a uma sexta-feira à tarde vão ver mais de metade dos passageiros com o portátil ligado.

Ecrãs siameses: considero que os canais multimédia têm irmãos siameses, ecrãs que foram separados à nascença mas que vivem bem um com o outro e que se podem ajudar mutuamente. Falo, naturalmente, dos novos devices e aplicações móveis.

A evitar

Textos longos: os textos no ecrã, em situações de movimento, originam má disposição na maior parte das pessoas e afasta-as da leitura. Insistir em textos longos, e ainda por cima animados, a juntar à trepidação da viagem é um contra.

Imposição do som: pelo que já explicámos em cima.

Conteúdos longos: os típicos programas de televisão repescados para este ambiente têm alguma dificuldade em vingar, por muitos dos pontos que enunciei nos A considerar. Além de que a nossa atenção não é a mesma que temos no sofá lá em casa.

Resumindo

Temos de facto uma audiência cativa, não só dentro do transporte mas também nos terminais de embarque e salas de espera, mas é uma audiência heterogénea, que em comum terá apenas aquela necessidade de se deslocar do ponto A ao ponto B, naquele dia àquela hora.

Se queremos comunicar por via dum canal multimédia, temos que ser realmente inovadores na abordagem e no uso da tecnologia para que o canal seja um elemento positivo na experiência de utilização do transporte, em vez de um ponto amorfo ou até negativo.

Ao dia de hoje, estes serão os bons desafios para um novo canal.

5 comentários e reacções:
Hugo Fernandes disse:
12:18h, 4-1-2011

Nos comboios, devido à viagem serem geralmente longas, confunde-se este meio como mais uma televisão. Chamo-lhe “entretenimento de encher chouriços”. Não há de facto a exploração de todas as potencialidades que são faladas aqui. O que é pena, pois tornaria a viagem bem mais interessante.

responder

Rui Cruz disse:
13:15h, 7-1-2011

Em que cmboio?
No que faz Lisboa Porto intercidades não há TV.

Rui

responder

Luis Salomé disse:
18:34h, 4-1-2011

E quem sabe rentável! ;)

responder

Rui Cruz disse:
13:14h, 7-1-2011

O canal do Metor de Lisboa não é mau.
Pena é que não tem ecrã em todas as estanções, e que o som – precisamente nas que não existe ecrã – dê muito a desejar.
Ou seja, estou a falra de estações velhas. :)

Rui

responder

Jorge Oliveira disse:
13:57h, 7-1-2011

O som do canal do Metro, por acaso, é dos que mais me “irrita” pela repetição constante da mesma coisa. Se for uma espera nocturna então ainda se torna mais pesado.

Um exemplo do que deve ser feito com o som para este tipo de coisas: experimenta deixar uma Wii ligada no menu principal sem fazeres nada e vês que o som não te incomoda, mesmo parecendo repetitivo. :)

Quanto ao resto podia ser muito melhor, mesmo mantendo a componente informativa que o caracteriza.

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