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29/12/2010

Gestão de crise da Ensitel

Nokia e71

A avaliar pelo número de mensagens e reacções no Twitter, Facebook e outras redes sociais sobre a Ensitel e ainda as notícias sobre o caso nos mass media, a Ensitel está a aprender da pior maneira que não se deve subestimar o poder da web e das chamadas redes sociais.

Tentando resumir o caso de uma forma simples, a Maria João Nogueira no seu blog foi descrevendo o seu penoso processo de tentativa de troca de um telemovel comprado na Ensitel, o que incluiu uma passagem pelo Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo e termina numa decisão judicial a favor da Ensitel, determinando a reparação do equipamento em vez da sua troca. Recentemente a Ensitel interpôs uma acção judicial com o objectivo de obrigar a Maria João a apagar os posts escritos sobre este processo.

Em defesa da liberdade de expressão inúmeras pessoas tem demonstrado, das mais variadas formas, o seu apoio à Maria João e o seu desagrado face ao comportamento da Ensitel. Por exemplo na página do Facebook da Ensitel, foram inúmeras as pessoas que escreveram comentários pouco abonatórios para a marca.

A reacção da Ensitel até ao momento, passou por no início apagar os comentários negativos na sua página de Facebook e, posteriormente, ao final do dia de ontem, emitir um comunicado no qual mantém a sua posição afirmando que está a ser “alvo de uma autêntica campanha difamatória“.

Perante este cenário, os próximos tempos da Ensitel não serão nada fáceis, de certeza.

Mas o que deveria fazer a Ensitel para ultrapassar esta crise?

Neste momento o importante seria antes de mais conter ao máximo os danos causados por esta crise e delinear e activar um plano de gestão de crise. Eis algumas das acções que deveria constar neste plano de crise:

Antes de mais, cancelar o processo em tribunal no qual querem que a Maria João Nogueira apague os posts do seu blog;

  • Contactar a Maria João e outros clientes possivelmente lesados nos últimos tempos, pedindo-lhes desculpa e resolvendo as suas situações
  • Um alto responsável pela Ensitel deveria dar a cara pela empresa, assumindo os erros deste no processo da Maria João e de outros semelhantes;
  • Nomear um Gestor de comunidades ou um Relações Públicas Digital, alguém que passe a dar a cara pela organização nos vários canais e que seja responsável pela gestão do seu relacionamento com os seus clientes ou potenciais clientes, ouvindo as suas queixas e dando-lhes resposta atempadamente;
  • Criar um hub para reunir todas as conversas tidas à volta da sua marca, incluindo as queixas dos seus clientes e potenciais clientes e as suas respostas, seguindo o exemplo de outras marcas;

Simultaneamente a Ensitel deveria modificar a sua política de atendimento e  relacionamento com os clientes / potenciais clientes, o que provavelmente passaria por implementar uma violenta mudança cultural. Para tal deveriam ser implementadas as seguintes acções:

  • Sessões de Focus Group com clientes e potenciais clientes, para os quais deveriam ser convidados alguns dos lesados em processos anteriores, para terem conhecimento de todos os aspectos a melhorar;
  • Acções de formação junto dos colaboradores da Ensitel, sobre a criação de relações de excelência com clientes e potenciais clientes de forma a centrar a organização no consumidor;
  • Criar um blog para divulgar todas as iniciativas implementadas com vista à melhoria do seu relacionamento com os clientes;
  • Promover junto de lideres de opinião e jornalistas as iniciativas implementadas com vista à melhoria da qualidade de serviço da Ensitel.

Como é óbvio não seria um processo nada fácil, nem simples, porém acredito que neste momento ainda seria possível transformar esta crise numa oportunidade para transformar a Ensitel, numa empresa ao serviço dos seus clientes e por consequência, numa empresa de sucesso.

Imagem da autoria de JeanbaptisteM

5 comentários e reacções:
João Correia disse:
14:09h, 29-12-2010

Não chamaria crise ao que é uma consequência do mindset da empresa e que iria acontecer mais cedo ou mais tarde.

Aqui a diferença é que este cliente (ao contrário de muitos outros) se deu ao trabalho de fazer valer os seus direitos, além disso este cliente não era simplesmente qualquer um, mas a gestora de blogs do SAPO.

Penso que esta questão ultrapassa as redes sociais e espelha o mindset de muitas empresas portuguesas.

Vêm a presença no Facebook como mais um canal para “bombardear” mensagens porque é “moderno” e “trendy” quando deveriam perguntar-se:

“Estou a ouvir e prestar um bom serviço aos meus clientes ?”

Se a resposta é não, o melhor é não ter presença nas redes sociais. Começem por implementar medidas que visem a satisfação do cliente antes de avançar com as redes sociais.

Concordo com a solução para este problema a curto prazo … um pedido de desculpas a todos os clientes em vídeo por parte de um alto-responsável da empresa, no entanto duvido que isso vá acontecer, o mindset simplesmente não é esse.

Daqui a 3 meses poucos se lembrarão deste episódio e “its business as usual para a Ensitel”, a memória do povo é curta!

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Luis Carrondo disse:
17:09h, 29-12-2010

Gostaria de ter uma opinião formada acerca desta situação, mas como entendo que em situações de conflito devemos sempre ouvir as duas partes, penso que só após a Ensitel dar a sua versão do caso, poderei tirar alguma conclusão… De qualquer das formas, alguma coisa aqui não encaixa devidamente… Só ainda não percebi o quê!

responder

0:42h, 30-12-2010

Regra #1 da Internet, nunca tentar limitar a liberdade de expressão de alguém.

A memória do povo pode ser curta mas o nome Ensitel será recordado negativamente.
Embora um pedido de desculpas seja o primeiro passo para a resolução do problema pouco ou nada vai trazer para apaziguar esta situação, assim como um alto dirigente só o fará em último recurso.

Na minha humilde opinião a Ensitel precisa de mudar politicas. Se dessem mais atenção em tentar perceber porque os clientes reclamam e escolha determinadas opções em detrimento de outras poderiam ter um serviço ao cliente muito bom.

Para mim a culpa desta situação é exclusivamente da Ensitel, calhou a ser a Maria João Nogueira a comunicar o que já se sucede durante muito tempo.
É como o João diz, mais cedo ao mais tarde a bolha ia rebentar e isso aconteceu hoje.

Agora vamos lá ver a se a Ensitel não decide lançar os advogados às pessoas que nada têm a ver com este projecto e que andam literalmente a difamar a marca. Assim só para ver se metem medo e as pessoas deixam de difamar a empresa.

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Hugo Fernandes disse:
9:31h, 30-12-2010

O mais assustador é que me parece que a Ensitel não faz a mínima ideia do que é isto das “internétes”…

E acrescentando ao que disse, não acredito que alguém que esteja a par desta história entre ou passe por uma loja e não pense negativamente. A memória pode ser curta e o povo pode ser activista de sofá (ambos verdadeiros), mas há coisas que ficam. E esta é uma delas.

A má publicidade espalha-se vertiginosamente mais depressa que a boa publicidade. Será que os Srs. Drs. de Marketing da Ensitel não sabem isso?

responder

[...] “Gestão de crise da ensitel“ [...]

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